Nesta semana resolvi falar um pouco de tudo. Afinal, tanta coisa acontece de uma semana para outra que a inspiração se pulveriza e o foco em um só tema pode ser enfadonho nestes tempos das velozes mídias digitais. Começo com os comentários interessantes à minha postagem anterior, e miscelâneas diversas sobre fatos atuais relacionados com a região.
“O litoral do Paraná tem saída?”
Os leitores gostaram da abordagem, muitas gozações e piadas, além das manifestações sérias e incentivadoras.
Outros, já devem estar com aposentadoria garantida e não querem que ninguém altere a paisagem atual, preferem comer ostras nos quiosques e que nenhum caminhão com contêiner passe na sua frente. Quanto à marginalização social e baixa renda dos “outros”… ah! esse assunto é de algum governo… sem dúvida muita gente não está muito preocupada com questões de baixa renda (dos outros… é claro!), desde que alguém continue cultivando umas ostrinhas pra ele se deliciar…
Até a respeito da BR-101, teve um leitor que me contestou dizendo que ela pula também o estado de São Paulo (!). Não meu caro, a BR-101 vem desde o litoral do Rio Grande do Sul, atravessa Santa Catarina e muda pra BR-376 naquela plaquinha que diz “Bem vindo ao Paraná”, alguns quilômetros pra frente de Garuva já no pé da serra em direção a Curitiba. A “101” recomeça no litoral de São Paulo na cidade de Peruíbe-SP (em paralelo com a SP-055), passa por Santos e vai embora sempre pelo litoral, até o nordeste brasileiro. Viu que chique? somos o único estado litorâneo “saltado” por esta rodovia. Os ecologistas que lotam os barzinhos do Largo da Ordem em Curitiba agradecem!
Se você puxar uma linha reta da divisa PR/SC até Peruíbe, a distância é de uns 215 quilômetros. Portanto, paulistas e catarinenses são muito mais competentes na atração de turismo e investimentos de infraestrutura do que nós paranaenses.
Crise mundial, dólar querendo subir e o nosso litoral do Paraná?
Pois é. Me atrevo a dar uns pitacos sobre “impactos da crise econômica global no litoral do Paraná”.
Parece um bom título para uma monografia acadêmica, e até me candidato e ser professor orientador de algum aluno do ISEPE, ISULPAR, IFET, FAFIPAR ou UFPR.
Mas vamos lá:
Se a crise se agravar e o dólar se valorizar mais do que ensaiou por estes dias (chegou a R$ 1,90), poderemos ter um fluxo de turismo interno maior com o encarecimento das viagens mais longas e caras. A tendência das famílias é serem mais contidas nos gastos e preferirem programas mais regionais e baratos. Aí o nosso litoral tem que saber vender seu peixe e capturar parte deste público.
As Associações Comerciais dos municípios do litoral, deveriam se coordenar (e exigir) com a Secretaria de Estado do Turismo, e investirem em peças publicitárias em rádio e TV da capital e interior do Paraná mostrando as vantagens econômicas e de lazer que o nosso litoral oferece.
Passaportes turísticos, pacotes com preços promocionais, estrutura de informações e principalmente: capacitação do receptivo a este público por parte dos estabelecimentos comerciais e serviços para fidelizar o visitante regional (nisso os vizinhos catarinenses são ótimos!).
Portanto, nas crises e no caos é que as oportunidades surgem. Vamos aproveitá-la com competência.
Investimentos portuários: Adeus?
Fontes bem informadas me dizem que dos três grandes investimentos esperados para Pontal do Sul, um já desistiu em definitivo, outro engavetou porque já viu que será embargado e apenas um é que efetivamente entrará em operação. O desânimo com o “esforço” das autoridades em ajudá-los foi decisivo.
Uma das empresas tem contratos milionários (e multas idem) a cumprir e seus prazos já se esgotaram e outros estados da federação os querem de braços abertos. Lá se vão!
Federalização dos portos do Paraná (Leia: A indústria das ações trabalhistas no porto: a CPI no rumo certo)
“Enquanto isso na Sala da Justiça…”, em silêncio midiático está se gestando em Brasília um novo modelo portuário brasileiro. As atuais delegações e estados e municípios devem acabar, e o governo federal enfim colocará a mão forte na gestão dos portos brasileiros, Paranaguá e Antonina na lista prioritária antecipando-se em cerca de 15 anos uma “rescisão branca”.
Com o vizinho porto de São Francisco do Sul-SC já fizeram isso há algumas semanas atrás. O contrato venceu e prorrogaram a delegação em mais 8 meses (!), pois o novo modelo será vestido em 2012.
Entenderam agora porque não vem grana para os portos paranaenses? A última verba foi este colunista aqui que conseguiu em 2009 (R$ 53 milhões) para dragagem, cuja verba foi anunciada neste ano pelos meus sucessores como se fosse conquista deles (… até aí tudo bem. Afinal, o que seria dos políticos sem o marketing?!).
O novo modelo exigirá dos estados e municípios (caso de Itajaí-SC) a constituição de uma empresa pública (modelo que defendi inclusive em coluna aqui no Correio do Litoral), onde a União Federal tenha participação no capital e na direção executiva. É o fim (ou começo do fim…) do loteamento político do porto, das máfias das ações trabalhistas e de uma despolitização mais acentuada em direção ao profissionalismo.
Que Deus os ilumine e o modelo seja efetivamente implementado no Brasil e, em especial, aqui nos portos do Paraná, e os investimentos virão!
E quanto ao Steve Jobs e o nosso litoral?
Ué, você não está lendo esta coluna em um iPad, iPhone, Tablet ou produtos de concorrentes que correram atrás da revolução digital que ele liderou?
Parece uma brincadeira o que estou fazendo, mas é apenas um modesto tributo a este gênio que nos deixou dias atrás.
Valeu Steve Jobs! Um menino pobre que foi adotado por uma família que não conseguiu pagar sua faculdade, mas lhe deu uma família e as bases para mostrar sua genialidade e abrir um fantástico mundo novo.
Na semana das crianças, é bom refletirmos que dentro de qualquer uma delas pode existir uma genialidade contida, e com o nosso afeto e carinho ela pode desabrochar!
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Fonte: http://correiodolitoral.com/