O uso da Internet como ferramenta da liberdade de expressão na democracia

Neste período recente de minha vida tenho descoberto na Internet uma forma de interatividade democrática possível de ser exercida diariamente e não mais apenas ocasionalmente nas reuniões com as comunidades, associações e conselhos, representantes dos mais diversificados interesses e assuntos.

 

 Porém, já na campanha municipal de 2007, comunidades no Orkut promoveram excessos que só não terminaram em extensas ações judiciais em função da falta de regulamentação à época, mas que me levam a refletir  sobre o papel da internet nas eleições. Hoje,  a cada capítulo novo na política nacional os internautas vem postando não apenas opiniões ou travando disputas ideológicas lúcidas nas redes sociais,  mas minha suspeita é que a interatividade esteja funcionando como uma porta direta para o esgoto do ressentimento e da ignorância.

 

Neste viés, assisto  com  um misto de vergonha e enjôo aos centenas de comentários  sobre o câncer de Lula. Fossem apenas alguns, não me daria o trabalho de comentar, o fato é que se  trata de uma enxurrada de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos, mostrando prazer com a tragédia de um ser humano, e isto sinaliza algo mais profundo. Centenas de postagens pedem que Lula não se trate num hospital de elite, mas no SUS para supostamente mostrar solidariedade com os mais pobres. É de uma tolice sem tamanho. O que provoca tanto ódio de uma minoria?

 

Lula teve muitos problemas e merece ser criticado por muitas coisas, a começar por uma conivência com a corrupção. Mas não foi um ditador, manteve as regras democráticas e a economia crescendo, investiu como nunca no social.No caso de seu câncer, trata a doença com extrema transparência e altivez. É um caso, portanto, em que todos deveriam sentir-se incômodos.

 

Mas nesta minha iniciação como comentarista do Garuva.com quero deixar claro aos leitores de que minhas opiniões aqui manifestadas  serão sempre como cidadão,  a 20 anos conhecedor e militante da política local  e portanto,  habilitado a emitir opiniões sobre aquilo que de mais importante  acontece  neste campo na cidade.   É  fundamental a participação de vocês todos como co-autores através de seus  comentários  postados aqui, porém quero deixar desde já um pedido  aos  internautas  freqüentadores e leitores da coluna  para que  nos mantenhamos no campo da discussão de idéias e fatos, e não como no caso que citei acima  e fazer da internet   um campo de batalha com fins e propósitos que fujam do campo da ética e da lucidez.   Só conseguiremos desenvolver e crescer junto com a cidade se amadurecermos politicamente com a mesma velocidade…  lembrem-se disso e até a próxima.Neste período recente de minha vida tenho descoberto na Internet uma forma de interatividade democrática possível de ser exercida diariamente e não mais apenas ocasionalmente nas reuniões com as comunidades, associações e conselhos, representantes dos mais diversificados interesses e assuntos.

 

Por: Sidnei Pensky

 

 

Nota: 


Os conceitos e opiniões emitidos em artigos e colunas, são de inteira responsabilidade de seus autores e nem sempre refletem a opinião do Garuva.com.

 

Escola preventiva

MARCELO TAVARES

Geógrafo

Ao nos depararamos com o último bimestre escolar somos convidados a análises típicas da época, como por exemplo, o índice de estudantes apresentando rendimentos abaixo do mínimo exigido e, por consequência, os reais motivos que direcionaram tais personagens a essa configuração tão indesejada ao universo educacional. Peças de um sistema com necessidades históricas, alguns alunos, professores, especialistas, gestores e pouquíssimos pais encabeçam – somente nessa época – movimentos que procuram corrigir e resgatar estudantes a caminho da retenção escolar, o que para muitos, de nada adianta ao analisarmos as apáticas produções realizadas no decorrer do percurso. Atitudes indispensáveis como reforço escolar, auxílio a alunos desassistidos por familiares, incentivo à leitura, acompanhamento especializado, práticas esportivas e culturais e assistência a docentes com necessidades específicas devem ser atitudes frequentes em uma escola que se intitula sincronizada e capaz de promover a construção coletiva do conhecimento e a melhoria na qualidade de vida de todos. Nesse momento, somos direcionados a acreditar que aquela educação excelente e pautada na qualidade não se conquista com posturas formatadas através de tardios discursos situacionais, mas sim, com alternativas constantes e inovadoras capazes de coibirem baixos rendimentos já a partir de sua prematura manifestação. Elevar os níveis de aprendizado é tarefa de um sistema onde o professor pode até ser peça fundamental – e eu acredito que seja – porém, para que consiga resultados brilhantes depende de inúmeros outros fatores, alguns extremamente difíceis e complexos, porém, outros completamente simples e acessíveis, como por exemplo, o fortalecimento de parcerias, a formação continuada, a ampliação de condições, o respeito ao próximo e, acima de tudo, o desejo de transformar pessoas em seres humanos muito melhores. Portanto, para que o trabalho em rede discursado país afora ocorra de verdade, é necessário planejamentos e posturas de forma contextual desde o primeiro dia de aula, pois, somente assim os culpados pelo fracasso escolar serão diagnosticados e, quem sabe, reconstruídos – se isso for necessário, é claro. 

Nota: 

 


Os conceitos e opiniões emitidos em artigos e colunas, são de inteira responsabilidade de seus autores e nem sempre refletem a opinião do Garuva.com.

 

 

Parceiros da aprendizagem

MARCELO TAVARES

Geógrafo

A participação efetiva da família na vida escolar dos alunos apresenta-se como uma das maiores utopias da educação atual. Em alguns casos, é muito mais difícil do que encantar crianças, alfabetizar alunos, ou até mesmo, superar o nível desejado de satisfação de todos os envolvidos no processo de ensinar e aprender. Mais impossível ainda do que levar pais às Escolas é fazê-los entender que seu envolvimento constante na vida escolar de seus filhos é de insubstituível importância. Somos então levados a questioná-los: Onde está a impossibilidade em querer saber como foi o dia do seu filho na escola? Verificar cadernos, mochilas e estojos – porque não fazer? Participar das reuniões de pais e professores ou quem sabe surpreender a todos com uma visita inesperada a Escola – isso jamais? Ora senhores… Como ousam então em dizer que são pais presentes, responsáveis e que acompanham seus filhos para que tenham tudo do bom e do melhor? – no mínimo, há uma contradição aí e que, se esta, não for corrigida imediatamente, poderá sim, ser um estrondoso problema em um futuro muito breve. E os deveres de casa, porque não são feitos em família? – muito trabalho durante o dia. A noite todos cansados? Por favor… Deveres de casa com seu filho deve sim fazer parte do trabalho de pai e mãe – isso é indiscutível. Quando o objetivo é melhorar o desempenho escolar de crianças e jovens, precisamos ampliar condições superando carências detectadas e contribuindo para a educação de todos. Criar filhos e educá-los para a responsabilidade no mutante mundo em que vivemos é uma tarefa desafiadora e exigente e, por isso, tenhamos a sábia e estratégica certeza de que a família em parceria com a escola constrói pontos de apoio e de formação na vida de um cidadão e que quanto mais fortalecida for essa parceria, muito mais brilhantes serão os resultados. Por isso, aproximem-se da escola dos seus filhos, sugiram mudanças, busquem soluções e entendam definitivamente que jamais a escola poderá assumir a função da família na vida do aluno. Não se ausentem pais… Não se isentem… Sejam cidadãos atuantes, participativos e conscientes. Seus filhos irão agradecê-los… Podem acreditar.

 

MAIS VEREADORES – TÁ, E DAÍ?!

Marcelo Tavares

Geógrafo

Dizem os sábios na área pública que vereador é a figura da Câmara Municipal que executa suas atividades em favor da cidade que o elegeu. Seu mandato dura quatro anos e o cargo enquadra-se no Poder Legislativo. Em resumo, sua função é fiscalizar o trabalho do prefeito e os gastos ligados ao orçamento anual, sendo assim, é o “representante do povo”, rótulo esse, utilizado como jingle sacro em momentos de aparições públicas. Em referência a discussão atual, sou a favor do aumento no número de vereadores nas câmaras desse país de meu Deus, pois, penso que assim ampliaríamos as oportunidades de melhorarias na vida de todos. É aquela velha história dizendo que, quanto mais “cabeças pensantes” juntas, maior a probabilidade de conquistarmos extraordinários resultados. “Cabeças pensantes” (re) candidatem-se, por favor! Pela ótica das despesas, mais legisladores resultaria sim em maiores gastos com combustível, salários, luz e água, diárias, papel, telefone, computador, fotos, cartuchos de impressoras, móveis, caneta, cola, lápis, borracha, assessores e por aí vai. Pensando nas melhorias às condições de vida das pessoas, teríamos retornos importantes como oferta de mais e melhores empregos, ampliação na rede de saneamento básico, asfalto, maiores investimentos na educação, saúde, assistência social, agricultura, cultura, esporte, turismo, lazer, transporte, meio ambiente e segurança. Vejo que o debate acerca do tema não está seguindo a conotação que o assunto merece, pois, para muitos incluindo eu, as conferências deveriam abordar quais conquistas tais alterações proporcionariam à qualidade de vida de todos. “Meio” vereador, dois, nove, onze, 20 ou 100 – a quantidade não é o mérito da questão. O que precisamos é o respeito assinando projetos relevantes capazes de ampliar condições e fortalecer relacionamentos, o que atualmente quando ocorre, apresenta-se em formato de difícil a impossível manutenção. Devemos saber escolher “representantes do povo” que permaneçam sábios, estratégicos, audaciosos, dedicados e perspicazes. É nosso dever escolhermos líderes que construam relacionamentos sérios, que sejam críticos, exigentes, polidos, inteligentes e inquietos. “Se” temos vereadores ruins espalhados pelo país, é porque os elegemos, por isso, os detonar pelas esquinas do inconformismo é retrato da contradição. Após elegê-los, precisamos apoiá-los e cobrá-los a fim de reconduzi-los a atitudes mais produtivas. Abaixo a vitória dos insuficientes e incapazes. Sejam quantos forem necessários e permitidos por lei – isso não importa. O que queremos são cidades melhores.